Re:Zero – Retornando da morte em um mundo novo.



Dezenas de animes novos são lançados todo ano, e nisso incluo as sequências, o que para alguém não habituado ao nosso entretenimento, pode parecer um pouco assustador. Basta ver que existem 4 temporadas durante o ano para se impressionar. Obviamente que muitos desses animes ou possuem um nicho específico, ou então acabam passando meio despercebidos mesmo (pelo menos, em relação ao grande público).
Ainda assim, sempre temos a “grande” produção do ano. Entre aspas porque eu me refiro a popularidade (o que não é nenhum demérito). 2012 foi o ano de Sword Art Online, e o ano seguinte de Shingeki no Kyojin. 2016 não teve um anime extremamente popular, mas tivemos o trio que marcou o ano passado: Re:Zero, Boku Dake ga Inai Machi (ou simplesmente Erased, pra facilitar), e Yuri on Ice!!!. Hoje pretendo discorrer apenas sobre o primeiro.
Re:Zero possivelmente foi o mais bem sucedido de todos. Levando em conta a análise de popularidade entre os países, feita pelo Crunchyroll, ele foi o anime mais visto de forma geral em todo o mundo. É contada a história de Subaru, um hikkikomori que de repente se vê transportado para um mundo digno de um bom RPG de fantasia. Após acabar sendo encurralado por bandidos, é salvo por uma garota chamada Emilia, capaz de usar poderes advindos de espíritos. Após ajudá-la a encontrar um importante artefato perdido dela, ambos são assassinados por um desconhecido a noite. O que Subaru não espera é que ele é capaz de retornar algumas horas passadas após a morte. Assim, ele utiliza esse poder para poder se aproximar de Emilia.
De cara, é fácil entender o sucesso de Re:Zero. Além de ter um enredo não muito estranho aos otakus, por assim dizer, a obra também tem um tom muito positivo, além de outras características já manjadas. Mas, o grande mérito da narrativa é subverter muitos clichês típicos de animes de universo de fantasia. O próprio Subaru é o maior exemplo disso.

Emilia em um de seus vários momentos de indecisão

Eu não acho que a animação seja um primor no desenvolvimento dos personagens, mas é bem difícil não simpatizar pelo menos um pouco com eles, tanto que a personagem feminina mais popular de 2016 foi a Rem (a Ram acabou meio esquecida pelos fãs, o que é uma pena, eu adorava os trejeitos dela, principalmente o “Barusu”). Também gostei bastante da Emilia, um personagem que me identifiquei um pouco.
Mas voltando ao protagonista, eu acredito que ele possua algumas características que fazem ele se destacar. A primeira delas eu acho que é o fato de ele não ser um “predestinado”, que possui algum poder superior a todos os outros personagens e que simplesmente aparece do nada. Ok, você pode falar do retorno através da morte, mas isso não é algo que ele controla exatamente, além de lhe trazer um sofrimento muito grande (que eu vou falar um pouco mais no decorrer do texto). E mesmo com o retorno, Subaru não é capaz de enfrentar praticamente nenhum inimigo, recorrendo a sua inteligência e criatividade para ser útil.

   Toda a fofura de Rem e Ram

Outra questão a ser abordada é o senso de progressão que é utilizado pelo retorno através da morte. Não sei se me expressei bem, mas eu acho interessante como o personagem usa ele para solucionar seus problemas. Isso fica evidente no segundo arco da história, em que Subaru inevitavelmente morre, até ganhar a confiança das gêmeas Rem e Ram, e enfrentar os majuus na floresta, MAS isso só é observado pelo protagonista depois de suas mortes, fazendo do retorno mais uma ferramenta para sua investigação do que algo para sua própria segurança.

      A personagem mais forte, em termos 
     de personalidade, é de longe a Crusch

O grande ponto alto da obra, pelo menos para mim, é o arco da Seita da Bruxa, onde vemos o quão é difícil persistir através da morte. O sofrimento que Subaru sente é transmitido com muita sensibilidade, se tornando angustiante até para o espectador. É neste momento que vemos o protagonista realizando até mesmo desistindo de sua amada Emilia, sendo trazido de volta por Rem. Fora que o arco apresenta a minha personagem favorita da série, Crusch Karsten.

É claro que nem tudo são flores para Re:Zero, e nem para Subaru. A antologia interrompe o desenvolvimento dos personagens no final dela, além do protagonista não ter lá grandes justificativas para ter uma paixão tão grande pela Emilia (está mais para uma obsessão). Mas me surpreendi muito com o anime, não esperava me envolver tanto com ele. Só espero que tenha uma segunda temporada, afinal, há alguns elementos que irão ficar mal resolvidos se a adaptação do mangá não continuar, como o real papel da figura suspeita de Roswall, ou até a seleção real.

      Um tchau do Subaru pra vocês! xD

Extra:

Como eu gosto de trilhas sonoras, fica aqui a musica da primeira ending do anime (eu acho ela sensacional). O nome dela é Styx Helix, e o nome do artista é Myth & Roid. O vídeo está legendado até em português, caso queiram ver a letra.