Resenha - Jigoku Shoujo



"Pobre Alma envolta em escuridão, Tuas ações trazem dor e sofrimento à humanidade. Tua Alma vazia se afoga em seus pecados; de que forma desejas ver a morte?"


Sinopse: Exatamente a meia-noite todos os dias, o acesso para um misterioso site é liberado, mas apenas dentro deste pequeno minuto e possível somente para quem tem o endereço dele, no site há escrito "Quem você deseja enviar ao inferno?" e um campo para preencher um nome, que se for preenchido e enviado, será um pedido entregue para o Donzela do Inferno, que virá trazer a pessoa alvo para o inferno com o preço de que quando morrer, quem fez a encomenda também irá para o mesmo lugar.

Lançado a partir dos meados de 2005 até o inicio do ano de 2009 com algumas interrupções intercaladas, Jigoku Shoujo conta com 78 episódios sendo assim uma obra relativamente longa para os padrões de animações Japonesas. Com direção de Takahiro Omori(Baccano, Durarara, Natsume Yuujinchou), responsável por dirigir a imensa equipe durante a primeira parte da animação que conta com três temporadas, em primeiro momento foi missão de Omori guiar o rumo de uma produção totalmente original, curiosamente esse profissional além de guiar uma equipe realmente grande, também foi responsável por lidar com o Storyboard de Jigoku Shoujo que apesar de não ser nenhum esplendor ainda se trata de uma obra de animação mediana para superior. Um elemento que veio pesando na staff foi a quantidade de responsáveis por scripts; vários foram os profissionais colocados na função, alguns com boas referências e experiência já existente no ramo e alguns nem tanto; toda uma equipe responsável por criar um rodízio nos temas e abordagens de acontecimentos cotidianos ao decorrer dos episódios. Jigoku Shoujo é quase totalmente episódico, então a equipe responsável por não deixar a coisa ficar monótona e repetitiva precisou se revezar com bastante frequência. Mas preciso dizer que apenas as duas primeiras animações de Jigoku Shoujo contaram com a direção sagaz de Omori, que na terceira temporada foi dispensado, e em seu lugar surgiu Hiroshi Watanabe, um profissional com muitas competências, mas nenhum primor em nenhuma delas, tanto que não conseguiu fazer crescer seu nome em nenhuma obra até então dirigida; e talvez por conta dessa alteração de direção, a terceira temporada da obra foi considerada pelos fãs a mais enjoativa e de valor quase nulo para toda a sequência.


Se existe algo que poderia ter afundado Jigoku Shoujo no esquecimento eterno, e certamente foi o grande inferno da Staff, é a questão do desenvolvimento do design de personagens que precisou ser feito do zero para a animação. O desafio foi bem sobrepujado, um padrão bastante pé no chão foi estabelecido, e mesmo com uma grande quantidade de personagens passageiros, as identidades visuais foram preservadas, mesmo que para destacar os personagens fixos algum esforço superior tenha sido feito. Esse esforço acontece quando um padrão de traços bem mais afiados e belos foram usados para Enma Ai e seus servos, alguns detalhes de design inclusive se tornaram incompatíveis com determinadas épocas e mesmo assim passaram despercebidos.


Mas certamente o grande mérito de uma equipe é se entender e fazer funcionar, e conseguiram fazer isso com Jigoku Shoujo e principalmente com Enma Ai, uma protagonista nos moldes Dandere Lolita, mas que para todos os efeitos conseguiu com um desenvolvimento linear fugir de ser taxada dentro desses clichês. E esse foi um maior apuro da questão de elenco que Jigoku Shoujo passou, afinal entre os demais personagens fixos observamos reinar a solidez, exceto pelos personagens do Mitsuganae que escapam dessa verdade.


Para ser citado como o soberano do drama faltou para Jigoku Shoujo, certamente há variedade de temas, e o modelo padrão possibilita rumos impensáveis para obras que gastam mais tempo no desenvolvimento de conflitos; porém na contramão os diálogos da obra são baseados na pobreza extra, a um nível proposital falta lógica e brevidade; ser direto não funciona dentro do desenvolvimento esperado para a trama, e isso acontece para que a horrenda opção de vender a alma possa ser possível mesmo em questões não esdrúxulas do cotidiano; vender a alma passa a ser comum mesmo que o objetivo seja nefasto e sem valor futuro, mas isso é o que pretende concluir o enredo. Enfim, a obra não perde o elemento recreativo, porém deixa de ser fiel a realidade que tanto busca copiar na ficção. O que salva Jigoku Shoujo de um inferno irreversível é sua variedade de encarregados para a tarefa do enredo episódico, tanto que essa característica negativa da obra é inconstante surgindo e desaparecendo aos poucos.


Mesmo tendo seus pontos negativos, ainda é uma obra que diverte e tem êxito em passar o caos das relações humanas. Há momentos em que o espectador torce para que a punição de Enma Ai não seja aplicada, e em alguns outros momentos o contrário se torna verdade; fundamentado em um enredo que sempre cria um vilão a ser odiado com força, a obra vem nos trazendo momentos onde o ódio cresce e nos tira a razão, e por alguns momentos podemos tomar o lugar de algum passageiro protagonista que no fim do episódio desaparecerá para sempre. É divertido, não é perfeito, mas é envolvente, esse é Jigoku Shoujo; uma obra que aborda diretamente a questão da morte como punição adequada para pecados quase que invisíveis aos olhos da lei. A verdade da obra fica exposta através das palavras recorrentes da verdadeira protagonista "Ippen, Shinde Miru?". Então, o convite a você é se divertir com Jigoku Shoujo e extrair seu lado positivo, fingindo por algum tempo que a realidade é tão seca quanto a demonstrada na obra.


Conclusão: 7/10

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