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Meditando no Enredo - #11 Kiseijuu: Sei No Kakuritsu: O homem é o lobo do próprio homem!




Esse é um artigo que busca desenvolver melhor alguns assuntos propostos de forma mais tímida por alguns animes. Normalmente o artigo se desenvolve comparando fatos da realidade, com o assunto proposto no anime escolhido da semana, e justificando/explicando fatos comuns nos animes.

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Olá pessoal! Hoje eu escolhi uma obra que gosto bastante para falar sobre, sim Kiseijuu: Sei No Kakuritsu. Vamos falar bastante sobre alguns temas abordados na obra, e certamente virá muitos spoilers na leitura abaixo para quem não assistiu o anime por completo, então se ainda não conhece o anime deixo aqui uma indicação para você. E para você que segue lendo eu desejo uma boa leitura interessante e divertida:




O ano era 1989, mais especificamente no dia 22 de novembro de tal ano se iniciava a publicação de Kiseijuu (Parasyte), pelas mãos de Iwaaki Hitoshi, autor original, a obra foi publicada na revista Morning Open Zokan, da Kodansha, entretanto mais tarde foi levado para a Afternoon, onde iniciou sua jornada no ano de 1990, e seguiu sendo publicado, quando no ano de 1993 recebeu o ilustre prêmio Mangá Kodansha
na categoria Seinen. Logo no inicio do ano de 1995 a obra foi finalizada contendo dez volumes encadernados, sendo tal um total de 64 capítulos. Mesmo a obra seguindo por alguns bons anos esquecida, logo no ano de 2005 uma boa disputa levou a New Line Cinema a adquirir os direitos de Kiseijuu, que até mesmo chegou a anunciar uma possível adaptação para filme que não veio a acontecer. Novamente perdida por anos, a obra só voltou a ser foco de disputas no ano de 2013, quando os diretos adquiridos pela New Line Cinema acabaram, e o estúdio Toho foi o responsável por adquirir tais direitos. O mangá que parecia esquecido no tempo, acabou após mais de 20 anos após ter sido iniciado, ganhando em 2014 uma adaptação para anime, pelas mãos da Madhouse (Death Note, No Game No Life, One Punch Man...) e a adaptação foi dirigida por Shimizu Kenichi. Após tantos anos, uma adaptação com direito a 24 episódios foi um belo presente para a obra, que começou a respirar após tantos anos, ganhando também uma adaptação para filme em duas partes, além de um mangá Spin-Off chamado Neo Kiseijuu F, onde vários famosos mangakás shoujo fizeram várias pequenas histórias incluídas no fantástico universo de Kiseijuu.


Talvez seja desnecessário eu dizer, mas Kiseijuu nos conta a história de Izumi Shinichi, um colegial comum, e que pouco se destaca, sendo apenas alguém comum, onde um dia enquanto dormia com a janela de seu quarto aberta, acabou sendo arrastado para algo que acaba por desfigurar sua vida. Essa não é a história comum de como um adolescente adquiriu convenientes poderes que o coloca no ápice do mundo, e sim a jornada desesperadora de Shinichi, que acaba sendo parasitado, uma desconhecida criatura entra em seu braço desejando alcançar seu cérebro, porém desesperado o garoto consegue evitar que a criatura avance por seu corpo, como resultado o desconhecido ser acaba se instalando em seu braço, e devido a isso o protagonista agora precisa conviver com sua mão direita que tem vida própria. Não suficiente o drama do protagonista, a história também nos relata como tais formas de vida começam a se misturar na sociedade humana, e de forma instintiva possuem seres humanos para devorar outros humanos.

Kiseijuu - Sei No Kakuritsu, é de fato uma obra que conseguiu tocar fundo a quem assistiu aberto a isso, a
obra vem trazendo uma verdadeira mistura de gêneros, a obra passeia desde o horror até o romance, onde muitos são os momentos diversos da obra, um verdadeiro misto de cotidiano sobrenatural, onde mesmo que preso em uma sociedade comum, o protagonista se vê preso em um drama incomum, e luta por sua vida com criaturas misteriosas, ainda tentando manter sua identidade de colegial intacta. É claro Shinichi não consegue a proeza de sair ileso de todo esse conflito, e ao decorrer da obra muitas são as perdas na vida desse protagonista, que em quase nada se beneficiou de toda sua jornada, a não ser pelo profundo conhecimento sobre si mesmo e a sociedade a sua volta.

Kiseijuu, Parasyte, Parasita, um ser que sendo disforme e de origem desconhecida se apodera de humanos durante a obra,  tais criaturas que aparentemente são desprovidas de sentimentos, apáticas a dor humana, têm como principal propósito devorar humanos e buscar o conhecimento de tudo. Tal criatura que a primeiro ponto só pode ser ilustrada como maior inimigo da humanidade, vilão, ser a ser morto, ao decorrer da obra acaba ganhando a simpatia de todos, isto em forma de Migi, a mão direita de Shinichi. Nunca um personagem tão incomum ganhou tanto a minha simpatia, e tenho a certeza de que para muitos Migi, uma mão falante, é e sempre será inesquecível; inicialmente indiferente a sentimentos humanos, a estranha criatura de aparência até que simpática acaba ganhando sentimentos, coletando conhecimento, e aprendendo a conviver com o protagonista. Migi foi a forma encontrada pelo autor Iwaaki Hitoshi de aproximar o público dos parasitas, uma forma de introduzir um aviso não formal de que tais criaturas não eram movidas apenas pelo instinto mal. O quão comum é que o opositor de um protagonista seja considerado um vilão vil e sem sentimentos? Não é incomum também que tal figura comum em obras de todos os gêneros seja movido por vingança, ou mesmo que uma visão deturpada da realidade que o cerca o leve a atos desprezíveis, mas esse não é o caso dos parasitas, eles estão nessa obra para fazer o papel de existência comum, uma mera existência vinda a vida para existir tal como humanos ou qualquer outro animal, o único ponto incomodo desse misterioso ser é que ele foi colocado sobre a terra como predador natural do humano. Algo novo, uma forma de competição que os humanos não estavam acostumados desde sempre, esse é o principal tema que a obra nos trouxe e vamos abordar hoje.

A cadeia alimentar é algo comum, estudada por séculos, e trazida até nós com uma forma bastante comum e que nos é apresentada ainda nos primeiros anos do fundamental. O mundo é cruel, desde criança nós somos apresentados a essa realidade de forma velada e seletiva. Pense bem, quantas vezes já viu uma vida ser retirada diante de seus olhos? Nenhuma? Pense melhor a resposta é: muitas. Tantas que nem podemos contar. Agora, quando filtramos a pergunta: "Quantas vidas humanas já viu sendo ceifadas bem diante de seus olhos?" Provavelmente a resposta se aproximará bem mais do zero que antes. Nós humanos, cheios de nosso ego apenas consideramos dolorosa a morte quando é próxima a nós. Crianças matam formigas por mera diversão, mas choram compulsivamente quando seus animais de estimação acabam perecendo. Assim
é o humano que Kiseijuu prefere apresentar, um ser bastante cruel, e que sempre age em prol de si mesmo. Nem ao menos a vida humana nos é preciosa, ela só se torna preciosa quando se trata de alguém diretamente envolvida conosco, da mesma maneira que uma morte na TV não nos faz chorar, ou temer, ela só se torna perturbadora quando a forma que o dado fato ocorreu pode culminar em um prejuízo ou risco para sua vida pessoal; fora isso é apenas alguém desconhecido morrendo. Voltando a cadeia alimentar, quem se importa com um leão devorando alguns veados? É normal. Quem se importa se um tubarão se alimenta de alguns peixes? Ou uma cobra devora um rato? Não é estranho, é só a natureza existindo. Mas será que quando é inserido um ser na cadeia alimentar acima de nós humanos, ainda é tão "suave"? Ao menos é compreensível? Certamente humanos são o auge do planeta terra, seres acima de todos os outros, afinal um leão poderia facilmente nos matar, exceto quando usamos a inteligência, nossa principal arma para nos defender, nesse caso nenhum ser sobre a terra fora algumas poucas bactérias e vírus tem chance contra o humano. Como seria um ser capaz de ser superior a nós? Um ser que talvez pudesse anular todas as nossas defesas com uma superioridade intangível? Em Kiseijuu aqueles que tomam o papel de predadores são chamados parasitas, eles podem parasitar humanos, aprender sua cultura, e assim os dominar usando suas próprias leis.

Quase próximo a conclusão da obra, um personagem bastante único surge: Hirokawa Takeshi, um homem cujo a lealdade é antes ao planeta e sua diversidade de vida, que aos humanos e suas regras. Hirokawa vê os parasitas com bons olhos, os vê como a salvação necessária para exterminar a praga conhecida como humano. Em suas palavras o planeta está doente, e o veneno somos nós humanos. O personagem em seu ápice veio a nos lembrar nosso lugar na cadeia alimentar. Ele veio a expressar de forma direta e clara, que a
hipocrisia humana é tão grande que não pode aceitar como espécie que algo seja superior, um predador natural da espécie, e critica diretamente todas as ações defensivas dos humanos, que deveriam se conformar. Agora entramos em fase de contra-ataque. Se Hirokawa Takeshi tinha sua razão em criticar o humano como espécie por sua negligência para com todas as demais espécies de vida a sua volta, ele também peca em criticar a defesa da própria espécie. Ao que a obra usa o personagem para dar forma a seu principal tema, acaba por nos pensar até demais. Se o argumento usado pela obra é a falta de aceitação do humano como espécie, de que um novo ser surgiu para ser seu predador, é nesse momento que começamos a observar que tais parasitas ainda não podem ser chamados de predadores do humano, afinal na terra eu desconheço uma espécie que sirva de presa apenas por vontade própria, normalmente a cadeia alimentar surge por necessidade do predador e falta de opção da presa, quando Hirokawa começa a introduzir a questão da falta de aceitação do fato nos surge essa verdade, de fato os parasitas apresentados na obra não podem efetivamente caçar os seres humanos, pois eles ainda não são tão poderosos quanto essa espécie, quando logo quando inicia seu contra-ataque contra a espécie ainda desconhecida, inicia uma verdadeira caçada matando centenas. Nesse ponto da obra mais uma vez a superioridade humana brilha, demonstrando que sobre a terra nada é predador do ser humano, e talvez nunca venha a ser, a não ser talvez pelo próprio homem.

Saindo um pouco de Kiseijuu para entender o ser humano, eu inicio esse paragrafo com a seguinte frase "Lupus est homo homini non homo" que podemos entender como "O homem é o lobo do próprio homem" frase de Plauto dramaturgo romano do século II A.C. posteriormente popularizada por Thomas Hobbes que no século XVII trouxe em seu livro intitulado  Leviatã uma boa análise da natureza humana e sua necessidade de um governo que prive o humano de sanar todas as suas vontades. O autor deixa bem claro seu ponto de vista, em que uma sociedade só pode permanecer de pé quando um governo é forte e temido
o suficiente para que o homem abra mão de algumas de suas possibilidades, sendo assim necessário que o homem abdique de alguns de seus desejos para que uma sociedade seja formada. Nas palavras de Hobbes, mesmo que seja comum um homem ser mais forte ou inteligente que o outro, nenhum se ergue tão alto sem temer que outro homem o faça algum mal. Para que aja sociedade, e paz, nas palavras do autor, é necessário que aja um Leviatã reinando soberano sobre a sociedade. Em Kiseijuu essa verdade sobrevive com o nome de Uragami, um personagem que tem sua primeira aparição nos minutos iniciais da obra, já sendo um assassino movido por instinto, mas que acaba sendo melhor apresentando posteriormente, e seu personagem cresce o suficiente para que na conclusão da obra ele surja como vilão principal do último conflito. Vem Uragami a surgir para nos apresentar o maior predador do ser humano: a própria espécie humana. Assim como dizia Hobbes para viver em sociedade o homem precisa abdicar de alguns de seus desejos, mas Uragami vem na contra mão desse fato, deixando explicito que seu maior desejo é matar, e que toda a espécie humana é mergulhada no desejo de sangue, mas acaba se curvando aos bons costumes impostos pela sociedade, o personagem deixa bem claro temer o governo que podemos enxergar claramente como um leviatã que impede o homem de agir sem medo, mas mesmo assim ele continua a espalhar sangue por todo lado sem desejar abrir mão desse seu desejo. Uragami é no último momento da obra um elemento inserido para nos fazer entender que apesar da derrota dos parasitas, o verdadeiro predador do homem já está instalado no meio da sociedade, e na verdade sempre esteve, o lobo do homem é enfim, o próprio homem.

Como protagonista Shinichi passa por grandes e dolorosos momentos, ele melhor que qualquer outro personagem, acaba conhecendo todos os argumentos da história, ele vê diante de seus olhos muitas as possibilidades, em alguns momentos se culpa como humano, e até mesmo chega a preferir a destruição humana a continuar impondo regras humanas em espécies igualmente moradoras do mesmo planeta; o protagonista Shinichi passa por tantas as mudanças, desde a apatia até a enchente de sentimentos, muitos
são os momentos confusos do personagem que muitas vezes demonstra claramente sua confusão, e nos momentos finais da obra sua indecisão se deixa clara ao que após um grande e mortal conflito, ele fica a ponderar se deve ou não matar seu inimigo, e mesmo após tomar uma decisão consciente por todos os seres vivos, ele acaba voltando atrás e decide por matar por sua espécie. Sendo ele o melhor para concluir a verdade, ele apenas abre mão de seu papel como figura decisiva, e prefere não escolher, o protagonista prefere no fim se ver apenas como humano, um ser cruel e as vezes bom, e sem culpa do que de fato é. Shinichi até acaba nos lembrando mais uma vez Hobbes quando como personagem deixa claro que os humanos nunca são livres, já que suas escolhas sempre vão acarretar em consequências boas ou más; Shinichi escolhe a própria felicidade.

"Alguém na terra teve um breve pensamento... A vida precisa ser protegida" Com as palavras que a obra se inicia, eu pretendo concluir esse artigo. Kiseijuu é uma obra bastante singular que veio nos trazer a evidencia muitos fatos a serem pensados. Ao decorrer da obra aprendemos que os parasitas que inicialmente se demonstravam implacáveis em sua sede de sangue e posteriormente através de Migi e Reiko, começamos a perceber que mesmo os parasitas poderiam ter sentimentos, e ambos foram demonstrados como sendo cheios de compaixão por uma espécie diferente a deles. Em clara nitidez, os humanos nem por um breve momento buscaram viver em paz com a nova forma de vida, e na conclusão da obra o mais sangrento ser
não era um kiseijuu, e sim um humano. A obra nos veio mostrar a crueldade humana em comparação a outra espécie, e nitidamente nos demonstrar o quão cruel nossa espécie pode ser. Minha conclusão é que Kiseijuu - Sei no Kakuritsu muito me ensinou, principalmente na forma de encarar nossa própria espécie, a obra nos ensinou a compaixão e piedade para com os outros seres vivos que habitam o mesmo planeta que nós, uma verdadeira chamada para a consciência ambiental! Algo que atualmente parece fútil, e passageiro, mas é de fato uma preocupação que deveria ser urgente a todos: cuidar de nosso planeta não por nós apenas, e sim para nossos companheiros de planeta. A obra concluí que nós humanos somos solitários em todo o universo, pois nenhuma outra forma de vida vai nos entender, uma verdade absoluta, nós humanos somos movidos por um egoísmo tão grande que nem conseguimos nos entender entre nós, que dirá entender outra raça.

Bom pessoal, esse foi o artigo de hoje, falando um pouco de Kiseijuu e a consciência ambiental que a obra nos traz, então a mensagem de hoje é: vamos cuidar do mundo antes que ele envie seres para acabar com a doença que é o ser humano. Brincadeiras fora parte, fica a mensagem que possivelmente eu trouxe a evidência nesse artigo. Sim, possivelmente :v . Bom, até a próxima pessoal!
Meditando no Enredo - #11 Kiseijuu: Sei No Kakuritsu: O homem é o lobo do próprio homem! Revisado por Jhonatan A. Gonçalves em domingo, agosto 21, 2016 Nota: 5
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