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Meditando no Enredo - #7 Aku No Hana: A Face Da Loucura

Esse é um artigo que busca desenvolver melhor alguns assuntos propostos de forma mais tímida por alguns animes. Normalmente o artigo se desenvolve comparando fatos da realidade, com o assunto proposto no anime escolhido da semana, e justificando/explicando fatos comuns nos animes.

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Essa semana troquei alguns comentários sobre o anime Aku No Hana com o leitor Satoshi Orihara, e após falar um pouco sobre o assunto fiquei com mais vontade ainda de falar sobre, e então aproveitei para pesquisar sobre a obra para falar mais dela por aqui. Inclusive, se ainda não conhece a obra, convido você leitor a conhecer ela aqui nesse link, um artigo que indicou a obra, e falamos um pouco dela.

Aku No Hana, literalmente Flores do mal, teve seu mangá iniciado em setembro de 2009 na revista
"Bessatsu Shonen Magazine" da editora Kodansha, o escritor e também autor da obra era Shuuzou Oshimi, mangaká até então novato. Mangá esse que atraiu uma quantidade de público bastante grande, tal que logo foi licenciado na América do Norte. No ano de 2013 o mangá que já estava quase sendo finalizado teve a proposta de uma animação revelada ao público, animação essa que adaptaria os primeiros volumes do mangá. No período antes da estreia, muitos eram os rumores de que a obra contaria com uma animação incrível, que usaria dos mais modernos métodos de animação, e é claro que nesse ponto o medo estava maior que a expectativa entre os fãs do mangá, que apenas desejavam algo na linha do comum. Finalmente na segunda temporada do ano de 2013, com animação do estúdio Zexcs e dirigida por Nagahama Hiroshi a adaptação do mangá de Aku No Hana estreou. Estreou e assustou boa parte daqueles que estavam esperando um anime comum, a técnica da animação era bastante peculiar, uma técnica originada há bastante tempo atrás chamada Rotoscoping, ou Rotoscopia.

Rotoscopia é uma técnica de animação bastante antiga criada por Max Fleischer no ano de 1914, mais tarde em 1930 já era usada para a criação de desenhos animados, posteriormente popularizada após Walt Disney a usar em "Branca de Neve e os sete Anões". A técnica antiga, porém durante o passar dos anos foi ganhando inovações bastante expressivas, até chegar no resultado que nos importa, o produto "final" aplicado em Aku no Hana. O processo de animação consiste em filmar atores reais, enquanto os animadores simplesmente redesenham todas as cenas por cima das filmagens, conseguindo assim um resultado bastante próximo da realidade. Esse foi o polêmico método de animação usado na criação do character design de Aku No Hana.

A polêmica escolha do método de animação foi muito mal recebida pelo público, que não hesitou em criticar o diretor Hiroshi, assim como o diretor de animação Nitta Yasunari pelo resultado final, que escapa bastante do proposto pela obra original, o mangá. Mas acredito todos sabem muito bem disso, afinal a obra não foi mal recebida apenas no Japão, aqui no Brasil foi alvo de críticas em redes sociais aos montes, além de reviews bem acaloradas criticando a obra de toda forma possível...

Aku No Hana conta a história de Kasuga Takao, um jovem colegial bastante tímido, que vive sua vida baseado em limites, nunca desejando ir além. Kasuga é bastante apegado a um livro chamado "Aku No Hana" de seu autor favorito, Charles Baudelaire, e devido a essa paixão por esse livro, Kasuga se sente superior a todas as outras pessoas, fica apenas observando a todos e julgando-os inferiores, apesar disso Kasuga mantém alguns poucos amigos em sua classe, e leva uma vida bastante calma, sempre baseada em "limites". Porém, nosso jovem protagonista nutre uma paixão platônica pela garota mais bonita e popular de
sua classe, Saeki Nanako, que chama de sua "Musa" Seu "Anjo".  Um dia Kasuga volta a sua classe após o término da aula para buscar seu amado livro, que havia esquecido, e acaba tentado a olhar as coisas de Saeki, sua paixão, e na rápida checada, Kasuga se depara com as roupas de ginástica da garota, e ainda mais tentado, Kasuga acaba por tocar e cheirar a roupa, mas é surpreendido por um barulho próximo, e desesperado acaba roubando a roupa e fugindo. Kasuga passa o resto do dia odiando a si próprio, dividido entre a perversão e a pureza do amor platônico por quem considera um "Anjo". No dia seguinte, a escola está em caos, a notícia do roubo das roupas da garota se espalha, e se torna algo realmente sério, porém ninguém sabe quem foi o autor do furto. Até então tudo bem, mas Kasuga acaba confrontado por Nakamura Sawa, uma garota bastante antissocial, que é isolada do resto da turma, pode-se dizer que se Saeki é um Anjo, Sawa é um demônio. Sawa confronta Kasuga, e revela saber de toda a verdade, e em êxtase por achar alguém pervertido como ela, obriga Kasuga a fazer um pacto, onde ele deve fazer tudo que ela desejar.

O livro favorito de Kasuga, Aku No Hana, ou no original "Les Fleurs du mal" é uma obra que tem total influência sobre o protagonista durante todo o decorrer do enredo, então é importante compreender.  Les Fleurs du mal é uma obra de real existência, escrito pelo Francês Charles Baudelaire, é um livro de poesias considerado um marco da poesia moderna e simbolista. Obra lançada em junho de 1857, trazendo um conteúdo criticado e suprimido em sua época, com poesias de conteúdo as vezes mórbido, e cheio de simbolismo como era de se esperar. O autor da obra a descreve em suas palavras como "Uma obra onde depositou todo seu pensamento e coração, toda sua religião deformada e todo o seu ódio." E será que ele tinha tanto ódio assim para depositar em uma obra? Baudelaire era visto como um louco em sua época, desfrutava abertamente em excesso de drogas e álcool, além de tudo morreu de Sífilis provavelmente contraída em uma de suas famosas orgias. Baudelaire de quebra era  extremo adepto do movimento do romantismo conhecido como "Mal do Século" que é bem definido pelo autor Moisés Massaud como:“Pessimismo extremo, em face do passado e do futuro, sensação de perda de suporte, apatia moral, melancolia difusa, tristeza, culto do mistério, do sonho, da inquietude mórbida, tédio irremissível, sem causa, sofrimento cósmico, ausência da alegria de viver, fantasia desmesurada, atração pelo infinito, “vago das paixões”, desencanto em face do cotidiano, desilusão amorosa, nostalgia, falta de sentimento vital, depressão profunda, abulia, resultando em males físicos, mentais ou imaginários que levam à morte precoce ou ao suicídio”

Parece que Kasuga, Protagonista de Aku No Hana, que não larga por nada sua cópia de Les Fleurs Du Mal, é fortemente atingido pelo "Mal Do Século" tão fortemente que eu poderia descrever a personalidade dele exatamente com a descrição desse movimento artístico. Kasuga é desde o inicio, até o fim da obra preso, não por sua paixão, não por Sawa, e sim pelo Mal Do Século, que do inicio ao fim resume as ações do protagonista. Durante o desenvolvimento da obra como um todo, vemos até mesmo Kasuga tentando o suicídio.

Nakamura Sawa por sua vez, é simplesmente louca. Ela tenta ao máximo tirar Kasuga das "paredes" e "limites" da sociedade. Ela tenta com toda sua força trazer para fora o pequeno "pervertido" dentro de Kasuga, ela não quer o transformar em um pervertido sexual, e sim um pervertido em todas as áreas da vida, ela quer de fato ver sangue. Eu poderia mesmo explicar esse personagem vivendo preso em um "Mal Do Século Personalizado" mas eu estaria errado, Sawa é bem além da compreensão de Kasuga, e mesmo além da nossa compreensão. Durante toda a obra, nunca é possível prever um movimento dela, nunca é possível ver através dela, ela é o fator surpresa em forma de garota, ela é simplesmente louca. Sim, louca mesmo. É notável que a visão deformada da sociedade que Sawa tem não é normal. Ela xinga os
professores, ela é muito agressiva, ela usa de violência física para com qualquer um, ela não mede seus atos, e é suicida. Ela desejava morrer sozinha, enquanto Kasuga queria morrer com ela. Ela não é romântica, ela é louca. A visão deformada do personagem é tão clara em suas palavras, mesmo assim, perto da conclusão da obra, conhecemos por alguns instantes a verdadeira visão que Sawa tem do mundo a seu redor, e nesse momento podemos concluir: Ela sofre de uma doença mental. A garota, que protagoniza durante a obra atos impensados, no fim se revela uma sociopata, e quem sabe sofre de esquizofrenia. Há razão em sua loucura. Ela é louca afinal de contas.

Quando temos um personagem fadado ao romantismo platônico, com sentimentos suicidas, preso na descrição do "Mal Do Século" e se relaciona com uma personagem realmente transtornada com sinais claros de esquizofrenia e Sociopatia, infelizmente não há como manter esse enredo com um design de personagens básico de animes.

Uma pergunta: Quantas vezes você leitor já assistiu um anime, leu um mangá, onde há uma garota "estranha", e além de bonita, no final ela é só mal compreendida? Já deixo minha resposta: Centenas de vezes para mim.

Aku No Hana quando adaptado para anime, quis ir além. Foi criticado por isso? Certamente, mas
conseguiu de forma gloriosa inserir no meu coração a sensação de loucura. Eu enlouqueci junto com Kasuga. Eu me senti sendo o protagonista, onde inicialmente o peso de um segredo pode custar a vida escolar e a vida amorosa, e o desenvolvimento desse segredo acaba custando toda uma vida. Creio que todos que tentaram conhecer a obra deixando o preconceito sobre a animação de lado, pode se surpreender com um enredo enlouquecedor, um desenvolvimento digno de uma obra Psicológica, e uma animação TÃO, mas TÃO EXPRESSIVA, que chegava a dar um frio na barriga quando Sawa olhava para Kasuga com descontentamento presente eu seus olhos.

A Animação da obra foi sim bastante excêntrica, mas ao contrário do que pode parecer para quem julga de fora, ela foi tão adequada para a obra, que chega ser difícil descrever para vocês leitores. O medo, a dor, o suspense, a libertação, a loucura, tantos sentimentos que algumas vezes animes não conseguem passar, mas que Aku No Hana esfregou na cara de cada um dos espectadores atentos e abertos a obra. A animação diferenciada nos permitiu conhecer a verdadeira face da loucura, vimos o protagonista cair em desgraça, e jamais conseguir se retirar dela.

E ainda me atrevo a dizer, que não seguir os traços de personagens do mangá apenas fez do anime ainda melhor. Sim, eu me atrevo a dizer que o anime é melhor que o mangá. Eu nunca vou conseguir esquecer o olhar louco de Sawa, não do mangá, e sim do anime! Ela não foi mais uma garota mal compreendida dos animes, uma garotinha fofa no fundo, ela era perigosa, e doente. A cada vez que ela repetia "Comedores de Merda" eu tremia de medo da próxima ação dela, Kasuga era um pobre desgraçado que caiu nos braços de uma psicopata, e ficou temporariamente louco.
Aku No Hana foi uma obra, que seguindo o titulo original do livro de Baudelaire, se tornou uma insanidade, que foi desde o tema, e os personagens até a ending macabra e mórbida, que você curioso, pode conferir aqui. O símbolo da bela flor do mal, é outro destaque da obra, que como um belo exemplo de mensagem, é uma linda flor, que carrega o nome do mal. Linda, porém mórbida.

Para finalizar, eu digo que Aku No Hana não é "Mais um anime" ele é "UM ANIME". Não é o tipo da obra que se assiste para descansar, ou por que não tem mais nada para fazer, é uma obra que necessita sim de atenção e prontidão para acompanhar um enredo vagaroso e doentio. Não se sinta constrangido por não gostar da obra, e quem sabe nem tente justificar seu descontentamento em cima da animação, a obra simplesmente não é para todos os públicos, não são todos que vão adorar ela... Mas quem gostar, nunca vai esquecer.
Meditando no Enredo - #7 Aku No Hana: A Face Da Loucura Revisado por Jhonatan A. Gonçalves em sábado, maio 28, 2016 Nota: 5
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