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Digimon Adventure Tri.: A saga dos sentimentos continua

Primeiramente, feliz sábado. Sou Haiju (nome fictício) e acabei de entrar na equipe do "Animes Tebane". Tentarei trazer ,com alguma frequência, críticas/artigos sobre o mundo dos animes de uma maneira mais ampla (a primeira vista, sem uma divisão automática entre personagem/história/animação/som/dublagem).


(Essa revisão é tanto para os que não viram, apesar de apresentar um toque de spoilers, quanto para os que já viram)


"In the beginning of the universe, there was its soulless creator, Demiurge, and the true form of the world, Idea.

There existed only chaos, a soul without shape.
Demiurge knew not of what he had created. Knew not of the soul. Knew not of Idea.

É com isso que Digimon Adventure Tri.
Inicia sua brilhante saga. O mito da criação Gnostica, o repulso pelo mundo de existência material. Cabe lembrar, que não sabemos qual o mundo que é da “Ideia” e do “Demiurge” no caso de Digimon. Mas essa revisão não é um pequeno estudo Gnóstico de Digimon (apesar de isso poder ser uma das bases de argumentação para o objetivo da revisão).

Essa revisão tem como intuito correlacionar a “aventura Digital” e seus telespectadores; e confirmar a afirmativa de que: Digimon não é uma animação exclusiva para o público infantil.

Digimon Adventure Tri. retorna a saga dos Digiescolhidos de Pokemon Adventure de 1999, seis anos se passaram desde os eventos no Digimundo. Os personagens cresceram, apesar da vida não apresentar mais as aventuras de antigamente, os problemas agora são outros. O grupo se encontra distante um dos outros, o dia-a-dia dos adolescentes trazem novos desafios que só fazem se intensificar quando ,no meio da partida de futebol de Tai (que nenhum dos seus amigos pode comparecer), Kuwagamon ataca, no decorrer dos eventos Tai é encurralado pelo Digimon e é salvo (no último instante, claro) por Agumon. O começo da trama é em essencia esse, os Digimons estão no mundo real e ninguém sabe o motivo.

Aparentemente, a história não é lá muito diferente que as franquias de Digimon mostraram desde 1999. No entanto, a chave de Digimon não é a analise do plot (que tem diversos “plot holes”, principalmente, no tocante a sua cronologia), mas sim o de seus personagens. 
Em Digimon Adventure os personagens apesar de serem, literalmente, crianças foram selecionados para serem os Digiescolhidos. Eles foram escolhidos porque cada uma delas tinha um “poder”, esse “poder” era expresso por meio de seus brasões. Para os que não lembram (imagem a seguir):


Todos os sentimentos são os contudores que permitem a Digievolução dos Digimon, a ligação entre as crianças e seus Digimons é de um nível tal que Tai, por apresentar uma contrapartida que é a “Raiva”, digievoluiu seu Greymon para um Skull Greymon (uma forma corrompida e destruidora). Para os que não lembram, todos os Digiescolhidos, nos primeiros episódios, apresentavam ou uma negação ou uma degeneração de seu sentimento marcante (no caso de Tai, a degeneração da “coragem” em “raiva”). Joe era altamente medroso, Sora era dura em demonstrar amor, Mimi era falsa com seus próprios sentimentos por Palmon (apenas, porque não queira ter um Digimon “feio”), Izzy era prepotente na demonstração de sua Sabedoria e tímido em dar seu ponto (geralmente, mais certeiro que dos outros), T.K. não conseguia parar de chorar porque não tinha esperança em voltar para casa ou salvar o Digimundo.

E Kari e Matt ? Bem, eles são um caso para uma analise separada. Matt foi à negação completa de seu sentimento, se manteve isolado, apenas tendo contato com seu irmão (T.K.), se manteve longe do grupo e tocava sua gaita (muitas vezes, com seu fiel Gabumon escutando, inicialmente, a contragosto de Matt), além dessa negação, Matt também mostrou a degeneração de seu sentimento quando percebeu que seu único amigo e seu irmão T.K. tinha o trocado por Tai, tanto como amigo quanto como irmão, ele mostrou claramente a degeneração da amizade em um ciúme doentio e rancoroso, uma inimizade total com Tai. Quanto a Kari, ela é o sentimento que faltava no grupo, uma luz que mostraria o que os demais deveriam fazer. A própria Kari só é alvo de um desenvolvimento mais profundo nas franquias seguinte de Pokemon Adventure.

Agora que foi relembrada uma parte essencial de cada personagem no começo de Digimon, é necessário mostrar com essa ponto é expresso em Digimon Adventure Tri.. Todos os personagens cresceram, e com o crescimento, cada um começa a tomar os rumos de uma vida adulta, sem contar aquela pitada de romance (tímido japonês) explicito na série. Devido às escolhas desses rumos, cada personagem vai se distanciando um do outro, apesar de ainda serem amigos, o cotidiano criou as maiores barreiras entre eles. Apesar de esse sentimento ser sentido por todos, Taichi é o que mais sofre os efeitos disso.

O antigo líder das crianças no Digimundo (lembrando que o mais velho é Joe) perdeu um grande impulso de sua juventude, a coragem, agora resguardada, foi “suprimida” por uma visão mais cuidadosa, como tendo de medir mais as conseqüências de seus excessos de coragem e observar que suas ações têm conseqüências na vida de outras pessoas. Tai nunca duvidou do que fazia, apesar de não ser sempre guiado pela sua Coragem, ele seguia em frente sem excitar, sem pestanejar, guiado quase que por um senso maior que ele. No entanto, o decorrer de seis anos fez com que Taichi visse mais e pensasse mais, suprimindo a sua Coragem. São claros os efeitos do amadurecimento e perda de seu ímpeto não só de Lider, mas como símbolo da ação sem consciência, é interessante ver a linha tênue que separa a prudência (uma virtude dos homens) do crescimento e a covardia (um “pecado”). Tai é uma revelação amarga de como amadurecer é uma mistura de virtude e pecados.
Poderia se falar de Joe (que por ser o mais velho do grupo, apresentou-se como um personagem único nesse começo da série Tri.), mas o personagem não teve o enfoque para se extrair algo de profundo, mas é uma promessa.

 Apesar de os personagens serem o grande motor de uma mudança de Digimon, outros elementos foram colocados em seu devido lugar.

O trabalho de animação está ótimo, os desenhos estão limpos, traçados de maneira harmônica, linear, sem muitas quebras de perspectivas e dimensões (apesar das cores fortes e brilhantes).  A soundtrack foi regravada e modernizada, “Butterfly” e “Wish” (mantendo a mesma cena da cidade, foto da cena de 1999 ao lado, um banho de nostalgia) continuam sendo a abertura e o fechamento respectivamente, mas todas em versões um pouco diferentes (em certo sentido, melhores) em relação ao Digimon Adventure. “Brave Heart” (a música base das Digievoluções) recebe sua regravação e um pouco de mudança (mais teclado e guitarra).


O trabalho de dublagem é impecável, até mesmo para os telespectadores que assistiram em suas respectivas línguas, o trabalho é de uma qualidade enorme. Mas, sou obrigado a comentar que as dublagens dos Digimons (criaturas) são de um trabalho de atuação muito grande, sendo os digimons seres atemporais e que não “crescem” (eles em base, menos Tailmon, são jovens para sempre), ou seja, manter a inocência na dublagem é de um trabalho espetacular. Cabe destacar, a ótima dublagem de Tailmon, pois é um Digimon que apesar de parecer em fase jovem é, na verdade, de fase adulta.

Em suma: assista ao Digimon Adventure Tri. Você percebera uma obra que cresceu com você, não só no tempo, mas em sentimento e maturidade. Além de ser um ponto de nostalgia, é um animação que tem todas as característica de um bom show e que será uma grande promessa de 2016 (a previsão, é que saia a segunda parte da série em março).


Digimon Adventure Tri.: A saga dos sentimentos continua Revisado por Haiju em sábado, novembro 28, 2015 Nota: 5
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